quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Lua de Fel


Nao sei bem porque (ou talvez saiba), deparei-me num destes dias com um site duma agencia de viagens portuguesa que apregoava um pacote convidativo: Lua-de-Mel no Dubai.
Pormenor interessante: Junho a Outubro.
Sem me alongar em detalhes, aqui fica o meu comentario: o Dubai eh sem duvida o destino ideal para aqueles casais apaixonados que nem sequer saem do quarto de hotel. Queiram ou nao, nao conseguem!



Aguardo com expectativa pela proposta dessa agencia para quem queira casar de Novembro a Fevereiro.
Mantendo a coerencia, aqui fica uma sugestao: Siberia.

“Ramadan Kareem”


Assim se deseja um feliz ramadão.
O ramadão (ramadan, رَمَضَان) é o nono mês do calendario islamico, durante o qual os muculmanos praticam o seu jejum ritual (suam, صَوْم), o quarto dos cinco pilares do Islao.
A nos, que nao somos muculmanos, pede-se a gentileza de nao comer, beber ou fumar em publico. Encontrar um restaurante aberto é um milagre. Ha que ter ainda mais cuidado na estrada, principalmente ao fim do dia, quando a malta conduz desesperada e faminta para casa.
Mas para mim, que ainda nao passei por esta experiencia, penso que o pior vai ser a interrupcao do ponto alto semanal: as partidas de futebol de 7, todas as tercas feiras.
Mas nem tudo sao desvantagens ou privacoes: o horario de trabalho passa das 9h para as 6h diarias e o final vai ser celebrado com 2 ou 3 feriados!
Melhor ainda: o seu inicio, este fim-de-semana, sera assinalado com a inauguracao da “Tasca do Ti Antunes”, la para os lados do Dubai… eu proprio vou fazer o meu mini-ramadao de 2 dias, para me preparar para as famosas lulas no forno!
(oportunamente deixarei aqui o link para os comentarios no guia Michelin)

Forte abraco e saude da boa, ve-mo-nos no fim do ramadao!

Quando o menos se torna em tanto


Ontem, o Nelson realizou um salto 1.07% menor que ha um ano atras. Menos 19cm.
No verao passado, estava eu ao computador num escritorio em Birmingham, foi um gozo ve-lo vencer o ingles, confesso.
Desta vez, ele nao conseguiu saltar os 1774cm, que lhe valeriam novamente o ouro por um misero e saboroso centimetro. Ficou-se pelos 1755.
Este numero, tragico e de ma memoria na historia lusa, nao vai ficar gravado nas paginas do desporto nacional.


Mas o Nelson conseguiu-o numa derradeira tentativa, melhorando (ainda que em apenas outro misero centimetro) o melhor dos seus saltos anteriores.
E conseguiu-o antes de abracar o vencedor. Nao foi antes de chorar, de se lamentar, de se queixar ou de acusar quem ou o que quer que fosse.
E assim, o Nelson juntou-se ao grupo de pessoas que ja me deu licoes de vida.
A mim, e a muitos.

Principalmente por isto, obrigado e parabens Nelson!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Khalifa City A


No outro dia, o Ricardo entrou pela primeira vez em Khalifa City A. Deu-me boleia ate casa e entrou no grupo restrito dos que ousaram passar mais de dois minutos por estas bandas.
Para ele, foi o desfazer (ou tera sido antes a confirmacao?) de um mito. Um territorio inospito, um buraco negro algures nos arrabaldes, a linha da frente.
A Siberia ca do sitio, para onde sao deportados os expatriados a procura de casas a precos ligeiramente menos inaceitaveis.

Entenda-se desde ja que a substituicao da expressao “menos inaceitaveis” por “aceitaveis” resultaria num portugues mais limpo e cuidado, mas induziria em erro o leitor. Afinal, as palavras “casa”, “preco”, “Abu-Dhabi” e “aceitavel” nunca poderao coexistir numa frase sem a companhia da palavra “nao”, o prefixo “in” ou mesmo a expressao “tas a sonhar, ou que?!”.
Alem disso, um portugues limpo e cuidado nunca podera ser utilizado convenientemente num texto sobre Khalifa City A.
Este simpatico bairro, que recebe o nome do nosso querido presidente Khalifa bin Zayed al Nayan, e alias tudo menos limpo e cuidado.

Com uma dimensao de cerca de 4 por 6 km (tentem desenhar um rectangulo desses em cima de Lisboa e ficarao com uma ideia), consiste muito simplesmente em inumeros quadradinhos definidos por ruas e rotundas sem passeios. Uns quadradinho tem casas, outros quadradinhos tem casas em obras e os restantes quadradinhos tem areia. Eh esta que, tocada a vento, cria o ambiente acolhedor de Khalifa City A.
Tal como o resto da cidade, eh perfeitamente plana. Nao ha uma arvore. Aqui e ali vao sendo semeadas as villas: moradias de dimensao XL a XXXL, divididas sabe-se la como em apartamentos e partilhadas por europeus, americanos e australianos. Ha uma fila de 18 predios de 4 andares, com lojas no res-do-chao. E sao estas as nossas unicas lojinhas. Tambem temos uma bomba de gasolina e um café (nos tais predios, claro), com uma placa na montra: abre brevemente! Ha 2 ou 3 escolas e infantarios e uma clinica veterinaria.

Para a beleza do povoado contribui unica e exclusivamente o fantastico espectro cromatico (hei-de averiguar oportunamente da validade desta expressao) dos taipais das obras.
Ha volta de cada quadradinho de terreno, tudo muito direitinho, espetam-se postes de pinho e faz-se uma vedacao com chapas de zinco. Depois, durante um dia inteiro, dois artistas pintam a trincha cada chapa.
Para nossa satisfacao, ha um esforco crescente para transformar cada uma destas vedacoes numa expressao artistica do mais alto gabarito. Se quase todas as casas sao cremes ou amarelas (por causa das tempestades de areia, claro esta), as coloridas vedacoes das obras tornam Khalifa City A num verdadeiro arco iris. Assim, para minha casa por exemplo, eh facil: quem vem dos predios (so ha uma fila deles, certo?), corta a esquerda depois dos taipais azuis e brancos.
Quando essa obra acabar, la terei de mudar a indicacao!

As obras trazem a Khalifa City A os seus restantes habitantes. Cada obra tem a sua volta as barracas onde vivem os operarios indianos e paquistaneses. E quem entra em Khalifa City A julgara que apenas estes ali vivem, pois apenas eles andam pelas ruas. Os outros, obviamente, tem carro e nao andam a pe!
Durante os tempos em que ainda nao tinha a carta de conducao, tive oportunidade de partilhar com alguns paquistaneses vizinhos a caminhada ate as lojas dos tais predios. Os instantes que se seguem a essas conversas sao importantes momentos de reflexao: se ha primeira vista ha tantas diferencas, a verdadeira conclusao so pode ser uma. Somos todos iguais. Iguaizinhos.

E no fim desta breve mas justa descricao de Khalifa City A, questionar-se-a certamente o estimado leitor: mas porque raio Khalifa City A?
Meus amigos, o presidente aqui eh um tipo importante: existe a Khalifa City A e a Khalifa City B, e entre as duas ha um vazio de 6km de areia, onde sera construida a Khalifa City C.
O irmao, coitado, so teve direito a vizinha Mohamed bin Zayed city.

Khalifa City A nao eh para todos.

Saude da boa e ate breve, Inshalla!

PS: Na imagem, a amarelo, a villa de um dos tres tugas que conheco em Khalifa (eu proprio).

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Carta!

Quase tres meses depois, um bom motivo para vos voltar a escrever um postalinho: ja estou na fila a espera da minha carta de conducao, passei no exame!
Sem duvida uma das experiencias memoraveis da minha vida: exame marcado para as 8h45, apresento-me as 8h e dizem-me que estou no autocarro 6. Mau... Pago o meu bilhete para o autocarro e passada uma meia horita la estou eu a suar que nem um porco num minibus com 15 marmelos empacotados la dentro. La iamos nos a caminho da matanca... Passada mais uma horita a espera, la comecamos a saga: cada um em sua vez, la faziamos uma ou duas rotundas num carro com 3 policias la dentro. Os outros seguiam no minibus!
Quando chegou a vez do Joao bin Sales, ja tinham caido 3 melros... Felizmente foram os unicos! Entro, ajusto o meu banquinho e os espelhos (acho que impressionei bem os policias), perguntam-me se os oculos sao precisos: nao, sao so de sol! Entao toca a tira-los se faz favor... Peco autorizacao e arranco. Assim que arranco perguntaram se estava pronto: ao fim de 100 metros la percebi que tinha os 4 piscas ligados! Nada de mais... estava tao nervoso que ate custava a carregar no acelerador! Rotunda a esquerda, "ja tinha carta no seu pais?", rotunda a direita, "o que eh que esta ca a fazer?", inversao de marcha, "olhe para o espelho!", encostar... 4 piscas, passou!
Descarga de adrenalina no sangue, nunca me apeteceu tanto dizer asneiras...
Ca estou eu, Departamento de Transito da Policia de Abu Dhabi... A minha senha eh o numero 1233, ja vai no 1224. Ao fim de quase 4 meses, faltam uns 20min para ter a minha carta de conducao de ligeiros de transmissao automatica dos UAE.

Um obrigado especial ao meu colega Khalid, que depois de mais de um mes a dar-me boleia para o trabalho, hoje me deixou conduzir o carro e fazer umas rotundas antes de ir para o exame! So para desenferrujar!

Saude da boa, beijinhos e abracos, o sheik manda cumprimentos!

Vai uma boleia?...

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Um pouco mais longe...

Pois é, há algum tempo que não vos mandava um postalinho...
É que agora demoram um pouco mais a chegar aí: a nova estação dos correios fica em Abu-Dhabi! E que raio de sítio é esse? É a capital dos Emirados Árabes Unidos, país que tem como segunda cidade o Dubai (uma coisita ligeiramente mais conhecida!)

Portanto, já sabem: continuo à espera de visitas, agora um bocadinho mais longe!

Não me digam que não têm curiosidade de saber como é isto por aqui?
Vou tentar mostrar um pouco aqui no blog, mas não vos conto tudo: terão de vir ver com os vossos olhos!

Até um dia destes, saúde da boa!

Ah, já me esquecia: lá fora tá um sol do melhor e 30 grauzinhos! Só para meter inveja... :)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Boas Festas

A equipa de redacção do Postal dos Correios deseja aos estimados leitores, amigos e companheiros um santo e feliz natal e um próspero ano novo.

Uma caixinha de 500g de biscoitos de manteiga, cuidadosamente embrulhada à mão e com dedicatória será enviada com todo o carinho e à cobrança para as primeiras 100 pessoas que comentarem este post.

Até breve, cuidado com a neve,

João